DIU de cobre: sem hormônios, muito eficaz e longe de ser perfeito
Atualizado: 23 de ago.
O DIU de cobre costuma aparecer em dois extremos da conversa. Para algumas mulheres, é a solução perfeita porque não contém hormônios. Para outras, é praticamente um instrumento medieval responsável por cólicas, hemorragias e todo tipo de infortúnio ginecológico.
Como quase sempre acontece, a realidade é menos dramática e um pouco mais interessante.
O DIU de cobre é um pequeno dispositivo colocado dentro do útero para prevenir a gravidez. Ele não contém hormônios e pode permanecer em uso por vários anos. A duração depende do modelo utilizado e das recomendações do fabricante, podendo chegar a dez anos.

Como o DIU de cobre funciona?
O cobre provoca uma reação local dentro do útero que interfere na movimentação e na sobrevivência dos espermatozoides. Com isso, dificulta que eles cheguem ao óvulo e consigam fecundá-lo.
O principal efeito acontece antes que exista uma gravidez. Portanto, o DIU de cobre não interrompe uma gestação em andamento e não é um método abortivo.
Como não contém hormônios, ele também não impede a ovulação. O ciclo menstrual continua acontecendo, embora o volume do sangramento e a intensidade das cólicas possam mudar.
O DIU de cobre também pode ser utilizado como contracepção de emergência após uma relação sexual desprotegida, desde que inserido dentro do prazo adequado. Nessa situação, além de prevenir a gravidez, pode permanecer como método contraceptivo pelos anos seguintes.
Qual é a eficácia?
O DIU de cobre está entre os métodos contraceptivos reversíveis mais eficazes.
No caso do modelo T380A, a taxa de falha é de aproximadamente 0,8% no primeiro ano. Isso corresponde a cerca de oito gravidezes a cada mil mulheres durante esse período. Ao longo de dez anos, a taxa acumulada é de aproximadamente 1,9%.
É uma eficácia comparável à de métodos definitivos, como a laqueadura, com uma diferença importante: o DIU pode ser retirado.
Depois da inserção, sua eficácia também não depende de lembrar um comprimido todos os dias, trocar um adesivo, contar horas ou descobrir, no pior momento possível, que a cartela ficou em casa.
Nenhum método contraceptivo é absolutamente infalível, mas o DIU elimina boa parte das falhas relacionadas ao uso cotidiano.
O que acontece com a menstruação?
Aqui entra a parte que costuma desaparecer dos textos excessivamente entusiasmados.
O DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual, prolongar a menstruação e intensificar as cólicas, principalmente nos primeiros meses. Para a maioria das mulheres, essas alterações diminuem com o tempo. Para outras, permanecem durante o uso.
O aumento do sangramento e a dor estão entre os principais motivos para a retirada do dispositivo. Portanto, não são detalhes irrelevantes que precisam ser suportados em nome da contracepção sem hormônios.
O método pode ser menos confortável para quem já apresenta menstruações muito intensas, cólicas importantes, anemia ou deficiência de ferro. Isso não significa que todas essas mulheres estejam proibidas de utilizá-lo, mas que a escolha precisa considerar o padrão menstrual, os sintomas e o histórico de cada uma.
Quando o sangramento ou as cólicas incomodam, anti-inflamatórios podem ser utilizados por períodos curtos, desde que não existam contraindicações e que a indicação seja avaliada individualmente.
“Não tem hormônio” é uma característica. Não é, sozinha, um argumento suficiente para decidir se o método é adequado.
A inserção dói?
A experiência varia bastante. Algumas mulheres sentem apenas uma cólica breve. Outras apresentam dor mais intensa durante e logo após o procedimento.
A intensidade pode depender de fatores individuais, da anatomia do colo e do útero, de experiências ginecológicas anteriores e das condições em que a inserção é realizada.
Existem estratégias para reduzir o desconforto, incluindo medidas de analgesia e, em determinadas situações, anestesia local. Essas possibilidades precisam ser discutidas antes do procedimento.
Dizer que “é só uma picadinha” não melhora a experiência de ninguém. Minimizar a dor alheia costuma ser muito fácil quando o colo do útero não é o seu.
Quem pode usar?
O DIU de cobre pode ser utilizado pela grande maioria das mulheres, inclusive adolescentes e mulheres que nunca engravidaram. A indicação não depende de já ter tido filhos.
Também pode ser considerado por quem prefere evitar hormônios ou apresenta alguma contraindicação a determinados métodos hormonais.
Entretanto, a inserção pode ser contraindicada ou precisar ser adiada em situações como:
gravidez confirmada ou suspeita;
infecção pélvica ativa;
infecção não tratada do colo do útero;
sangramento uterino sem diagnóstico;
câncer do colo do útero ou do endométrio;
alterações da cavidade uterina que impeçam o posicionamento adequado;
alergia ao cobre ou determinadas condições relacionadas ao seu metabolismo.
A necessidade de investigar infecções sexualmente transmissíveis depende do histórico e dos fatores de risco. Quando necessário, os exames podem ser realizados no momento da inserção.
Todos os DIUs de cobre são iguais?
Não.
Existem modelos com diferenças de tamanho, formato e quantidade de cobre. Essas características podem influenciar a duração do método e, em alguns casos, a tolerabilidade.
Estudos recentes avaliaram dispositivos menores e identificaram diferenças nas taxas de retirada por sangramento e dor em comparação com modelos tradicionais. Isso não significa que um DIU menor seja automaticamente melhor para todas as mulheres, mas mostra que o modelo escolhido também faz parte da decisão.
A disponibilidade varia conforme o país e o serviço de saúde. O prazo de utilização deve sempre considerar as orientações específicas do dispositivo utilizado.

O DIU pode sair do lugar?
Pode ocorrer deslocamento ou expulsão parcial ou completa do dispositivo, especialmente nos primeiros meses.
A perfuração do útero durante a inserção também é uma complicação possível, embora rara. O risco de infecção pélvica é baixo, mas não pode ser tratado como inexistente.
Dor intensa ou persistente, febre, corrimento com odor desagradável, sangramento muito diferente do habitual, atraso menstrual ou mudança importante no comprimento dos fios são motivos para procurar avaliação.
Depois da retirada, a fertilidade retorna rapidamente. O DIU não provoca infertilidade.
Ele protege contra infecções sexualmente transmissíveis?
Não. O DIU de cobre previne a gravidez, mas não protege contra infecções sexualmente transmissíveis.
O preservativo continua indicado quando houver risco de exposição a uma IST, independentemente de a mulher utilizar DIU, pílula, implante ou qualquer outro método contraceptivo.
Então o DIU de cobre é uma boa escolha?
Pode ser uma excelente escolha para quem deseja um método eficaz, reversível, de longa duração e sem hormônios. Também pode ser uma escolha bastante ruim para uma mulher com fluxo menstrual intenso, cólicas incapacitantes ou uma expectativa incompatível com seus possíveis efeitos.
O melhor método contraceptivo não é o mais moderno, o mais natural, o mais popular nem aquele que funcionou maravilhosamente para uma amiga. É aquele cuja eficácia, riscos, efeitos e modo de uso combinam com a saúde, as prioridades e a rotina de quem vai utilizá-lo.
Todo o resto costuma ser opinião de quem não vai lidar com os efeitos no seu lugar.
Referências
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Centers for Disease Control and Prevention. U.S. Selected Practice Recommendations for Contraceptive Use, 2024.



